terça-feira, 23 de dezembro de 2025

O Clube do Crime das Quintas-Feiras

Ao adquirir o livro “O Clube do Crime das Quintas-Feiras”, de Richard Osman – Ed. Intrínseca (2021) – 400 págs – não imaginava de que antes de lê-lo, em meio à busca por filmes ou séries mais “família” para assistirmos todos juntos aqui em casa, acabaria topando com a obra adaptada pela produtora Netflix ainda em 2025, com grandes astros e estrelas, tais como Helen Mirren e Pierce Brosnan, entre muitos outros. Dessa forma, não me recordando que tinha sua versão original em minha estante para ler em momento futuro, acabei por ver sua versão audiovisual antes de tal ação, o que contraria normalmente minha regra pessoal de ouro.


Pois bem... Nada como uma ação desavisada para, por vezes, confirmar uma teoria. E esta seria a de que a obra escrita entrega muito mais elementos atrativos do que a adaptada para as telas. Creio que por limitações específicas de um meio em relação a outro, mas principalmente porque quando estamos falando de um livro, temos aí por detrás a mente de um autor que busca aguçar a imaginação dos seus leitores, incluindo elementos e detalhes para fisgá-los e manter o interesse na estória – ainda mais tendo em vista que hoje em dia são muitas as alternativas concorrentes buscando esse mesmo consumidor de conteúdo.

Nada disso deve ser surpreendente para o autor. Afinal, Richard Osman originalmente é produtor e apresentador de televisão na Grã-Bretanha. Ou seja, ele conhece da matéria e o que está em jogo quando ele decidiu buscar nas palavras escritas outro meio para expor suas ideias por intermédio de seus personagens. E o que Osman entrega é algo muito saboroso e leve. A estória se passa num asilo de alto nível localizado na Inglaterra, nos dias de hoje. Nele, um pequeno grupo de “habitantes” se dedica a desvendar crimes do passado, deixados de lado pela força policial e tidos como insolúveis.

Este é constituído (observar o grupo na primeira foto acima) por Elizabeth, ex-espiã (Helen Mirren); Ron, ex-sindicalista (Pierce Brosnan); Ibrahim, psicólogo (Ben Kingsley); e Joyce, a caloura, ex-enfermeira e cozinheira de mão cheia (Celia Imrie). Eles têm a cumplicidade, meio a contragosto, dos detetives Chris e Donna, que se veem incapazes de suplantar o conhecimento “amador” dos septuagenários do clube. O desenrolar se dá a partir do momento em que um dos proprietários do estabelecimento é assassinado. Posteriormente outros crimes acontecem e/ou são resgatados do passado, mesclando estórias de outros personagens secundários, todos colegas de asilo ou que vivem nas redondezas do estabelecimento.

Na comparação entre o livro e o filme, obviamente os roteiristas buscaram simplificar a trama, até mesmo invertendo um pouco a ordem da aparição dos acontecimentos criminosos a serem desvendados. O que no filme é um gancho para a apresentação dos personagens, no livro se trata de um arremate final de menor importância. A personagem Joyce, que no filme é uma coadjuvante, no livro é uma das principais narradoras, tendo capítulos de seu diário entremeando o desenrolar da estória.

Feitas essas considerações de caráter técnico, no que diz respeito ao livro, ele é altamente recomendável para o lazer, para apreciar um bom enredo policial, acompanhado de muitos risos pelo bom tom cômico que o autor consegue colocar para personificar o relacionamento daqueles idosos abusados e senhores de si quanto a como conduzir uma investigação, de certa forma desdenhando dos meios oficiais para fazê-lo. Além disso, as viradas são constantes, principalmente no terço final da obra, que é quando ela mais claramente se diferencia de sua adaptação cinematográfica. E, mesmo que pareça contraditório da minha parte, minha sugestão é que assistam primeiro o filme e depois leiam o livro. Porque se o fizerem na ordem inversa, pode ser que se decepcionem com o primeiro, desperdiçando um que pode vir a ser um bom momento em família. E nada os impedirá que, posteriormente, se dediquem à leitura, já sabendo que muitas novidades enriquecedoras ainda lhe serão apresentadas.