Ao adquirir o livro “O Clube do Crime das Quintas-Feiras”, de Richard Osman – Ed. Intrínseca (2021) – 400 págs – não imaginava de que antes de lê-lo, em meio à busca por filmes ou séries mais “família” para assistirmos todos juntos aqui em casa, acabaria topando com a obra adaptada pela produtora Netflix ainda em 2025, com grandes astros e estrelas, tais como Helen Mirren e Pierce Brosnan, entre muitos outros. Dessa forma, não me recordando que tinha sua versão original em minha estante para ler em momento futuro, acabei por ver sua versão audiovisual antes de tal ação, o que contraria normalmente minha regra pessoal de ouro.
Nada disso deve ser surpreendente para o autor. Afinal, Richard Osman originalmente é produtor e apresentador de televisão na Grã-Bretanha. Ou seja, ele conhece da matéria e o que está em jogo quando ele decidiu buscar nas palavras escritas outro meio para expor suas ideias por intermédio de seus personagens. E o que Osman entrega é algo muito saboroso e leve. A estória se passa num asilo de alto nível localizado na Inglaterra, nos dias de hoje. Nele, um pequeno grupo de “habitantes” se dedica a desvendar crimes do passado, deixados de lado pela força policial e tidos como insolúveis.
Este é constituído (observar o grupo na primeira foto acima) por
Elizabeth, ex-espiã (Helen Mirren); Ron, ex-sindicalista (Pierce Brosnan); Ibrahim, psicólogo (Ben Kingsley); e Joyce, a
caloura, ex-enfermeira e cozinheira de mão cheia (Celia Imrie). Eles têm a cumplicidade, meio
a contragosto, dos detetives Chris e Donna, que se veem incapazes de suplantar
o conhecimento “amador” dos septuagenários do clube. O desenrolar se dá a
partir do momento em que um dos proprietários do estabelecimento é assassinado.
Posteriormente outros crimes acontecem e/ou são resgatados do passado,
mesclando estórias de outros personagens secundários, todos colegas de asilo ou
que vivem nas redondezas do estabelecimento.
Na comparação entre o
livro e o filme, obviamente os roteiristas buscaram simplificar a trama, até
mesmo invertendo um pouco a ordem da aparição dos acontecimentos criminosos a
serem desvendados. O que no filme é um gancho para a apresentação dos personagens,
no livro se trata de um arremate final de menor importância. A personagem
Joyce, que no filme é uma coadjuvante, no livro é uma das principais narradoras,
tendo capítulos de seu diário entremeando o desenrolar da estória.
Feitas essas considerações
de caráter técnico, no que diz respeito ao livro, ele é altamente recomendável
para o lazer, para apreciar um bom enredo policial, acompanhado de muitos risos
pelo bom tom cômico que o autor consegue colocar para personificar o relacionamento
daqueles idosos abusados e senhores de si quanto a como conduzir uma
investigação, de certa forma desdenhando dos meios oficiais para fazê-lo. Além
disso, as viradas são constantes, principalmente no terço final da obra, que é quando
ela mais claramente se diferencia de sua adaptação cinematográfica. E, mesmo
que pareça contraditório da minha parte, minha sugestão é que assistam primeiro
o filme e depois leiam o livro. Porque se o fizerem na ordem inversa, pode ser
que se decepcionem com o primeiro, desperdiçando um que pode vir a ser um bom
momento em família. E nada os impedirá que, posteriormente, se dediquem à leitura,
já sabendo que muitas novidades enriquecedoras ainda lhe serão apresentadas.


Interessante! Fiquei com vontade de assistir a série.
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